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Imagem: Foto: Tsaorin/ Wikimedia Commons
Djavan: o menino que tinha a paixão dividida entre o futebol e a música
Nascido entre as raízes culturais de Alagoas, ele encontrou na música uma forma de expressar emoções e contar histórias. Com letras profundas e melodias marcantes, conquistou o Brasil e o mundo. Quando se trata de Música Popular Brasileira, Djavan é referência inevitável.
Por Flávia Veloso
28 de Setembro de 2026 às 07:30
A história com a música começou cedo em sua vida. À beira de um rio em Maceió, foi onde começou sua vivência musical. Sua mãe puxava um bonito canto, junto a suas companheiras de trabalho. Os solos e a forma como eram distribuídas as vozes, o pequeno Djavan admirava profundamente. Em casa, ele era ensinado através de canções que tocavam na rádio, principalmente aquelas mais próximas na cultura e no sotaque.
Por pouco Djavan não segue na música. Sua mãe lhe dizia que ele deveria ser cantor de rádio, mas ele dividia o seu sonho entre melodias e futebol. O talento ia muito além da voz: dentro de campo era um fenômeno. Aos 11 anos, chegou a jogar no juvenil do CSA, como meio de campo, e poderia até ter feito sua carreira no esporte, mas seu jogo era outro. Ao ter acesso a equipamentos de alta qualidade — o que, na época, era raro de se encontrar — e a uma grande coleção de discos na casa de seu amigo, ele aproveitou essa oportunidade para conhecer vários estilos musicais, como música clássica, jazz e música brasileira, o que foi essencial para sua formação artística. Foi assim que ele seguiu a vontade de sua mãe e teve certeza de que deveria seguir com a carreira musical.
Com 18 anos, entrou para o grupo Luz, Som, Dimensão, que agitava a cidade com rock. Aos 23, Djavan se muda para o Rio de Janeiro para tentar a sorte na indústria musical. Apesar do início difícil, ele cantou em algumas boates por lá. Com a ajuda do radialista Edson Mauro, ele é apresentado a um produtor de uma gravadora, que acabou levando Djavan para a TV Globo. Assim, passou a cantar nas trilhas sonoras das novelas.
Entre 1972 e 1975, escreveu mais de 60 músicas. Em 1975, conquistou o segundo lugar no Festival Abertura com o samba "Fato Consumado", sendo essa a oportunidade de gravar seu primeiro álbum: "A Voz, o Violão, a Música de Djavan", lançado em 1976. Em 1978, o álbum "Djavan" consolidou seu talento como compositor. Em 1980, "Alumbramento" fortaleceu sua carreira na MPB, com parcerias com grandes nomes da música brasileira.
Com o reconhecimento do público, suas músicas passaram a ser gravadas por grandes nomes, como Nana Caymmi, Maria Bethânia, Roberto Carlos, Gal Costa e Caetano Veloso.
Em 1982, o álbum "Luz", com a participação de Stevie Wonder, foi destaque mundial.
Com a grande quantidade de produção de discos ousados, em 2004, Djavan criou sua própria gravadora, a Luanda Records, que passou a lançar seus discos seguintes.
Nos seus 50 anos de carreira, Djavan honrou o sonho de sua mãe ao se tornar um dos maiores nomes da música popular brasileira. Sua carreira foi celebrada de uma linda forma com o espetáculo "Djavan – Vidas para Contar", que enfatizou esse sonho. Em 2025, Djavan lançou "Improviso" e celebrou seus 50 anos de carreira com a turnê "Djavanear – 50 anos", que passou pelos estádios do Brasil, com grandes sucessos.
O sucesso de Djavan ultrapassou barreiras. Suas músicas fazem história tanto nacionalmente como internacionalmente, com sua mistura de estilos como samba, bossa nova, jazz e música africana. Suas letras poéticas e profundas tocam no fundo da alma de quem escuta. Suas obras serão sempre atemporais.
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